terça-feira, 6 de junho de 2023

não cabe onda em aquário

Sentada na areia, calma, meditação

Um furacão parece se formar mais a frente, mas pode ser um pássaro

Pode ser um descompasso do…

Coração quase acelera, 

Desiste quando lembra que em outras eras

De tanto bater, cansou, decretou proteção.  

Nos lábios, qualquer canção


Levanta e anda como num versículo assertivo

Comando externo, reforço, não meu

Para ver o que, de fato era, talvez, não sei, o que apareceu


A água misturada ao sal encontra a pele e me recordo

Que estou seca tem um tempo

Mas o pé já está de molho e, por que não?

Um mergulho? Um convite no empuxo 


Fôlego profundo e mente ativa

Mistério que se apresenta, curiosidade explícita

Encontros de suor e saliva

Permissões não concedidas

Nem precisa. Intimidade está servida


Saí do mar, sentir a brisa. O mar é calmo e a maresia inebria

Decide afundar de novo, um pouco, no raso, pés ainda fincados 

Mas a areia já não é firme, não consolida, eu sei, agora é movediça 


Desafia a mente a encontrar recordações extintas

Intuição alerta, instantes antes 

Olhos encontram um céu que no seu fim, lá no fim mesmo

Nubla, acinzenta a vista e avisa


Bem vindo ainda é o mergulho, consciência distorcida 

Com cautela se recorda que um dia, tentou nadar e afundou

Afogou, pés não encontraram o firmamento

Da terra que em si reside, da terra que não está mais a vista


Confiança permite os riscos

Palavras conduzem o pulo, o mergulho

Água morna parece conquista, anestesia

Mas esse mar silenciosamente se agita


Vai nadando e afundando, conhece a sequência

Movimentos súbitos, cadenciados

Esquece, por minutos, da topografia que não muda

Não há tempo para o retorno, o ar fica escasso

E mesmo convicta de que sabia nadar

Cairá na mesma sequência de fatos


A história é repetida

O roteiro de novo, se aplica

O canto da sereia recaiu em seus ouvidos e é sabido que enfeitiça

Parte sem despedida, para minha voz não tem resposta, só esquiva

Conquista da básica realidade, do que o deslumbre em fantasias


Compreensível, eu entendo

Culpe a conformação, o mundo

E apesar de palavras diferentes, no fim, o silêncio

Disse muito, mesmo mudo


Ondas gigantes e turbulentas

Engolem o corpo, engole água... salgada

Ondas quebram e me quebram, água é movimento afinal e 

Recomponha-se! Retome, também, você, sua forma usual


Ressaca marítima arremessa corpos para areia

Levanta depois do tombo cada vez com mais destreza

Em terra de ar e terra, inundações não perduram

Mas as marcas fincam, sempre mais profundas

E nelas, quando bato olho, recordações nítidas, apesar do mal gosto

Me atravessou em tempestade, mas não, nunca fui porto


Confesso que dói o reforço que, de novo

Apesar de ter me parecido, mais uma vez, 

Os gestos foram ensaios, que chegam aos mesmos acasos. 

Desisto de tentar nadar.

Prefiro a segurança de ser aquário.



sábado, 7 de janeiro de 2023

lua cheia em câncer

pensei, ingênua, na sorte que se pôs 

achei e achei por dias seguidos 

que poderia ter, por uma única vez, me escolhido...

um amor sereno, um amor tranquilo 


sonhei, com olhos brilhando por um artifício 

que num relapso, num canto escondido

chegava sereno, um amor tranquilo 


de fato poderia, e ainda em tempo, há tempo

deixar me fluir, no fluxo do vento 

águas que em mim não encontro fácil

no meu mar escondido, teria um amor tranquilo?


encantos vorazes 

fugi, consentido 

e quando me recordo, faz sentido 

evitar um amor sublime, o conto polido de um amor tranquilo 


terei de esquivar, antes de ter me perdido

coragem me falta 

espaços vazios  

não consigo deixar ele chegar 

esse amor, tranquilo 

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

ventilação

Meu peito rasga 

Com a chegada do peso do mundo em minhas costas

Que se curvam 

Não há razão pra tal alegoria

Mas quanto mais vivo, mais me desfaço dessa triste fantasia:

A razão chega calmamente depois da emoção


O que me disseram é tão incerto

Leituras, mentiras, linguagens

Persongens e fantasias que escolhem vestir

Fantasias que escolhem acreditar

E perpetuam


Deixo ventilar

É sabido que dessa forma eu descubro o que já sei

Como um segredo velado

Como um percurso já desbravado

Um tesouro escondido

Um crime infiançavel 

Uma dor infindável

Um sonho inegociável


Minha essência exala a essência da liberdade

Temo não restar muita coragem

Então, deixo ventilar

Devo polir até encontrar esse diamante?

Ou devo me destoar desse sonho cada vez mais distante?

Deixar eclodir minha aura cantante?


quinta-feira, 23 de junho de 2022

saudade?


De todos os tempos onde a consciência se afirma

De todas as eras, períodos, movimentos

Me centro

Respiro

Me lembro que não sou nada

Me lembro que quiçá existo


Me espanto, não é simples

Concepções e palavras, sonoras silabas que limitam

Criasse imagens, teorias, criasse expectativas

Cria-se

Mensagens sutis que sobrevoam os imaginários

Se extinguem em mentes curiosas

Ecoam

Alçam voos


Deu saudade e isso não tem sentido

Não vejo sentindo

Nem quando sinto

Duvido

Não deu tempo

Enquanto dou tempo ao tempo

Você se foi

E eu fico torcendo

Pra você também lembrar daquilo que eu to vendo

Inventando algo tão leve que chega a parecer errado, sonho alado

Por que esse vicio no que é difícil? Tudo tem que ser sempre complicado?

Questiono a complexidade e ela não parece existir

Coração emocionado? Não tenho

Já deixei o meu de lado. 


Da pra viver com calma

Me lembrar que tenho alma

Me lembrar que pra cada tropeço 

Uma pausa

Pra acertar no próximo compasso 

Me refaço

Sou verso inacabado

Melodia tumultuada 

Dançando por ritmos

Instrumentos desalinhados

Me centro e penso

Escrevo e relembro

Nada é por acaso

Isso tudo é só o começo 


foi tipo um sonho... pra mim


 

    Começo aceitando novamente um novo rumo das coisas. Aprendendo a fluir, aprendendo a deixar. Vazo e me contento com o que vejo sair de dentro de mim. Me conecto com pessoas, poemas, processos, momentos. Me fascino: é impossível ser feliz sozinho.

    Mas o que confesso em contradição desde o início, pois um confessar e divulgar num mar de informações onde qualquer qualquer pode ter acesso, parece, no mínimo, incoerente. Mas quem se importa? O ser humano e sua arrogância em valorizar o que não existe, mas o que ele cria e determina, enfim. 

    Eis aqui minha criação materializada: um vislumbre de tudo que pode ser, concretização do que meu imaginário quiser. Sinto-me satisfeita de ter feito vir ao mundo o que eu nem sabia ser possível: esse take lindo.  Suspiros... 

 



 

quarta-feira, 18 de maio de 2022

barragens

já chegou um novo ano e uma madrugada fria me lembra da última vez que eu me deixei levar por um lance que se desenrolou em algo real. a verdade é que não me deixei levar por nada, só estava extremamente distraída e, talvez, independente da minha teimosia, o destino já estivesse traçado. 

estou me observando o tempo todo e cantando em voz alta minhas conquistas para ouvidos atenciosos e que tenho a sorte de estarem por perto. ou longe. mas sempre atentos. 

hoje foi um dia difícil e percebi como a ansiedade é uma fantasia ardilosa, uma figura sagaz e que me tomou, me abduziu de qualquer oportunidade de realidade onde eu precisava firmar meus pés para fazer meus projetos andares. mas foi impossível, seria impossível. eu voei longe demais.

e nessa intenção de não me autopunir por coisas que eu faço ou deixo de fazer conforme planejei - sendo que nem acredito direito nesses meus planos desorganizados - resolvi me perdoar, mas não é suficiente pra me fazer olhar pra toda essa projeção e enxergar as verdadeiras cores.

de fato, minha mente ta te usando de bode expiatório pra poder extravasar algo estagnado. o que não sei ainda fazer é dar vazão para o que se acumulou por tanto tempo, sem me inundar com a chegada de um tsunami de emoções e vivências.

o desafio pra mim é não querer mais entregar uma boia pra alguém querer tentar aprender a flutuar nessa mundaréu de água que surge em peso, sem destino, sem direção e direto do nada. o desafio é chegar gotejando e não inundando. é racionar. é eu não me afogar. muito pelo contrário. conseguir emergir até a superfície pra respirar, pra conseguir te convidar pra ver o que tem nesse mar, com fôlego, tranquila, sem te ver boiando e te arrastar pra minhas águas profundas e, por fim, acabar te afogando. 


domingo, 1 de maio de 2022

viciado em jogar baixo

Te encontrei no meu sonho depois de ter te procurado a noite toda por entre tantas pessoas efervescentes. Troquei meu espírito festeiro por uma vibração densa e baixa pra ver se te atraia até lá. Depois de tudo isso, todas essas horas, não restava mais nada senão chegar em casa e te entregar para o meu inconsciente e tirar minha roupa e razão apenas pra ver o que minha mente fértil iria criar, mesmo nesse terreno de destruição que é você. 

Te encontro por aí e não resisto. Sinceramente. Essa carga, essa casca, essa fantasia que eu crio pra me convencer de que você é o que eu sempre quis que fosse - e talvez seja isso: você não se importa em frustrar tudo que eu acho que sei sobre você e de alguma forma isso me fascina. 

Respiro agora acordada e tento pegar as pistas em cada corte de cena, em cada jeito e agir pra me entender aqui nesse outro plano, já que, cada vez mais, eu penso que meus sonhos estão servindo pra  completar a realidade. 

De toda forma, te trouxe pra casa e a lembrança do nosso beijo faz meu olho encher de lágrima - e eu sei que não é tudo isso mas agora está tudo tão distorcido que a minha única vontade é te encontrar pra tirar a prova.

Enquanto tudo acontecia da forma mais fluída, como se cada movimento tivesse sido ensaiado milhares de vezes, como se cada respiração fosse intencional e a gente tivesse alcançando um novo patamar, uma outra conexão, uma dança coreografada, entregamos um espetáculo de sincronia que me custou a fazer perceber que estávamos sendo observados. Não sei o que significa mas fechei a porta e voltei pra você e mesmo te enxergando, você já não estava mais lá. Parece que uma distração era o que precisava pra te lembrar de que vc não podia se entregar pra mim. Te colocou novamente em si, te desorganizou e foi onde o caos começou. 

Te encontrei em outro momento pra vc fazer o que mais gosta, me ferir. Mas reconheço que dessa vez ainda havia sinceridade no seu jeito e até certa coragem na sua fala porque você me disse que estava voltando a se aproximar de sua ex. Me surpreendi com quem era e não houve tempo pra perguntar o porque dela, não eu. Já me culpo por isso.

Brigamos e aí tudo começou a ficar caótico porque destruímos um lugar ou você, já não me lembro e você disse que arcaria com os custos. Já não sei mais o que aconteceu mas vaguei por tanto tempo com uma dor latejante no peito tão lúcida, tão real, que ainda acordei machucada e nem acredito que depois de todos esses meses eu ainda podia acordar dilacerada. Chorei tanto no meu sonho hoje que me lembrei do conselho daquela senhora que disse que eu já chorava muito em outro lugar. Tô tentando entender o tamanho e significado de tudo isso depois de já ter chorado a noite inteira num pedaço inconsciente da minha própria mente. Chorei tanto, tanto, tanto...
Doeu tanto e eu passei muito tempo repetindo isso: meu peito dói tanto, tanto...
"Tomei um fora", eu dizia pra qualquer pessoa que passava diante dos meus olhos.

aconteceu tanta coisa, mas eu agora nem me importo em lembrar

No final, após ser perseguida por ter quebrado as coisas e ter chorado tanto tanto por ter sido trocado e traída, enganada, ainda sinto que encontrei alguém que iria me querer bem. Mas que está há km de distância e que chegou com calma, com um abraço reconfortante que parou no tempo e sem querer me manipular. Com leveza com cuidado com atenção e intenção, com suavidade 
Com tudo que você não pode me dar... nem se quisesse... nem outro plano...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Giovana Metzner Ferreira – 9324279
Texto final para a disciplina de Tópicos de educação voltados à questão ambiental

Este texto foi elaborado para cumprir como uma das avaliações pertencentes à disciplina de tópicos de educação voltados à questão ambiental. Ele foi redesenhado e repensado ao longo do semestre, onde foi praticamente reestruturado para comportar as reflexões e aprendizados feitos ao longo desse período de tempo.
Desta forma, escolho publicá-lo em um blog pessoal antigo e esquecido, o giovanametzner.blogspot.com.
Devo mencionar que a escolha não foi óbvia para mim. Decidi expandir o contexto do meu texto e incluir vivências e registros  mais antigos e que começaram em 2009. Sinto me à vontade em modificar meu texto e distorcer meus objetivos iniciais, deixando de lado toda a privação que o contexto académico me ofereceu e impôs até agora e fico feliz em reconhecer que essa liberdade veio juntamente com as experiências dentro e fora de sala de aula mas associadas à disciplina.

Neste momento, assisto uma retrospectiva. Encontrei um texto que demonstrava minha preocupação ambiental no sentido mais físico e biológico deste, como noções sobre aquecimento global e economia de água. Percebi que, até o início da disciplina, ambiente para mim era resumido em: água (e outros recursos renováveis ou não renováveis), bichos, florestas tropicais e medidas como reciclagem, combate à poluição e desmatamento etc. Essa ideia me acompanhou em meus primeiros textos - que estarão anexados abaixo - e hoje percebo como a minha visão mudou: sinto que me aproximei mais do que hoje considero verdade.

Reli opiniões encharcadas daquele famigerado preconceito estrutural, aquele que tanto se fala que é enraizado na nossa sociedade. Enquanto  agradeço por tê-los desconstruído ao longo de quase 10 anos, lamento ao ver que as eleições presidenciais de 2018 me mostraram pessoas que me machucaram tanto com ideias semelhantes ou com um discurso de ódio que não expressei publicamente em 2009. Pois bem, essa situação não deixa de se relacionar com a minha - em constante transformação - utopia: mais do que sentir o direito de me munir de recursos e fatos educativos e históricos para invalidar pensamentos e argumentos dos tantos absurdos que ouvi, respiro. Hoje o que me parece mais certo é o diálogo. É entender que os contextos e vivências são diferentes não só para o oprimido mas também para o opressor - e longe de justificar qualquer forma de opressão, quero entendê-la, estudá-la para por fim, desarma-la mais sabiamente. Hoje entendo que a névoa que distorce as visões e demoniza as diferenças humanas vem e fica a mando dos interesses dos grandes e que minha vizinha não é fascista. As pessoas são forçadas a serem cegas e a cegueira é cômoda; há quem diga que a ignorância é uma benção, né? Mas não posso eu distorcer propositalmente minha visão por não concordar com o outro lado. Se eu não entender com quem preciso dialogar, continuarei dando murro em ponta de faca. Completo aqui então, no meu mundo ideal a gente não briga, a gente dialóga respeitosamente e passeia pelas diferenças, celebrando-as.
Mas é hipocrisia para mim não querer brigar quando uma das facetas da minha personalidade é tão marrenta. Além do mais, agora sou mãe. Se eu pudesse me avisar de que isso ocorreria, não evitaria. Tentaria o diálogo: para de falar que odeia criança e que não suportaria uma birra! Para de falar que jamais será mãe - porque a gente paga a língua! Na minha utopia não cabe julgamentos. Falar sobre educação ambiental não seria também conscientizar as pessoas sobre esse tipo de comentário, sobre os olhares de desaprovamento quando a criança tá se batendo contra o chão de um local público? Não é ou poderia ser uma pauta dentro desse assunto a boa convivência, a empatia? Eu não acredito mais que se restringe a ensinar que se deve fechar a torneira ao escovar o dente, que papel é reciclável e que tacar fogo na vegetação é ruim, mas que também a sociedade inteira é responsável pelas crianças, por exemplo, e não só as birrentas no shopping, mas também - e principalmente - as vítimas da falta de amor, da falta de cuidados e atenção, falta de brincar...

Social. Essa palavra que não fazia sentido estar inserida no contexto ambiental,  hoje, para mim, é completamente indissociável. Não dá, simplesmente não dá para falar sobre qualquer coisa sem incluir sociedade, sem falar de ser humano, sem repensar desigualdades e individualidades.

Me conheço hoje bem o suficiente para saber que já está na hora forjar um final para o texto, sabendo que se eu não o fizer, encherei páginas de ideias e teorias até me incomodar por ter exposto apenas meu ponto de vista e, por fim, desistir do texto todo. Há muito não liberava minha criatividade e mais uma vez, a disciplina contribui para isso e devo agradecer. Registrar é importante, fiquei feliz em notar certa evolução aqui.
Trago destaques que considero válidos no texto inicial que escrevi a respeito da minha utopia, que dão sentido ao que apresento aqui. Acrescento que às perguntas feitas nos comentários (em relação a como atuar no comportamento e mudança dos pais dessas crianças), os meus mais sinceros: agora eu não sei! Como vou poderíamos resolver? Há tantos empecilhos. De novo, a resposta está em pessoas e nas pessoas mas não sei como decifrá-la… Espero que só por enquanto.
A vida não é utópica e pensar sobre os meus sonhos e como inseri-los a favor de transformações positivas na sociedade, auxiliou no meu autoconhecimento. Creio que é por meio destas reflexões acerca de nós mesmos que podemos melhorar as coisas, planejar ações, enfim, lutar e agir.
Para o futuro, como profissional, como mãe, mulher e o que mais eu achar necessário me rotular, espero continuar a refletir e questionar. Exigir respeito, não me calar, minimizar danos em relação ao ambiente como um todo incluindo nas pessoas. Penso - e até pode ser uma visão pessimista - que independentemente do que fizermos enquanto humanos, a vida irá se restaurar no planeta. Talvez não a nossa, mas não existimos só nós, muito pelo contrário. Talvez agora seja hora de pensar nas pessoas. Memórias, sentimentos, histórias … Se acabarmos com a vida na Terra, para onde vai tudo isso? Enfim.
 Cheguei até a disciplina pela “educação ambiental” e hoje me vejo em edição não só como profissional mas como pessoa. Sei que irei descobrir, ler e praticar por meio de todo o conhecimento produzido e registrado, aprenderei com ele e tudo mais…. Mas vi na disciplina uma nova forma de educar, inserindo visões holísticas, com amorosidade, respeito, pluralidade, horizontalidade e prazeroso.
A atenção com os indivíduos e suas histórias trouxe saberes coletivos que carregarei comigo.
Agradeço ao professor Marcos Sorrentino por ter expressado na prática uma educação libertadora que foi além das questões acadêmicas, sem dúvida a disciplina que mais me ensinou sobre educação até agora, protagonizando o aluno de fato. Pelo respeito, liberdade e transformação, sou grata.



TEXTOS INICIAIS:

Primeiramente, de maneira mais geral, quando reflito sobre os meus saberes acumulados até este momento em relação as dimensões levantadas na pergunta, os que me sinto mais distantes são os da legislação e da política. Muitos são os fatores pessoais para tal como a dificuldade que tenho em reconhecer informações verídicas e conectar fatos históricos. Além disso, são assuntos que praticamente não foram inclusos em tópicos obrigatórios na graduação, fazendo com que uma silhueta não fosse muito bem desenhada.
Preciso também aumentar meu repertório teórico por meio de leituras ou documentários, por exemplo, mas é a minha bagagem prática que precisa ser construída com mais vigor, já que esta não foi o foco até agora. Os dois processos para mim são indissociáveis, uma vez que acredito que é necessário conhecer e refletir acerca de várias teorias, ideologias e filosofias etc, para que, quando for o caso, se tome decisões profissionais bem pensadas e que contemplem os mais diversos pontos de vista e visões de mundo – não necessariamente de acordo com uma delas, mas que pondere toda a diversidade de opiniões e expressões para tal.
Então, pretendo continuar aprendendo por meio de ações e reflexões, descobrindo novas culturas e maneiras de lidar com problemas de relacionamentos, tanto humano-humano quanto humano-planeta. Preciso estar sempre de mente aberta e atenta para conseguir detectar sutilezas em falas, atitudes, comportamentos e aplicá-los e/ou filtrá-los em minhas práticas cotidianas. Quero aprimorar meu conhecimento principalmente em relação a leis ambientais, educação, educação ambiental, políticas sociais e ambientais para ter uma base sólida que me permita, de fato, construir pensamentos críticos a cerca da realidade e então, pensar em construir coletivamente melhorias, independentemente da proporção que ela tome. O que importa, no fim das contas, é reconhecer que pequenas ou grande atitudes irão se somar para transformar a nossa relação com o planeta.
_______

O livro que escolhi para este fichamento trata sobre relações sociais.
Certa vez, conversando informalmente com algumas amigas, foi levantada a seguinte pergunta: O que você mudaria no mundo, uma única coisa, visando que este melhore? A resposta de uma delas foi a de que ela “acabaria com a sensação ou atitudes de superioridade das pessoas em relação à qualquer outra coisa”. Desta forma, concluímos que problemas como machismo, homofobia, racismo, gordofobia, discriminações e abusos no geral, poderiam cair por terra.
Com a proposta de escrever sobre a minha utopia, lembrei-me de um livro que fora antes uma carta. Trata-se do livro da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie denominado “Para educar crianças feministas: um manifesto”.
No livro a autora traz 15 sugestões a pedido de sua amiga para educar a filha da mesma a partir da ótica feminista.
São estas:
1. Seja (a mãe) uma pessoa completa;
2. Façam juntos (pai e mãe podem, com exceção da amamentação, dividir todas as outras tarefas);
3. Ensine a ele que “papéis de gênero” são totalmente absurdos;
4. Cuidado com o “feminismo leve”;
5. Ensine-a a ler;
6. Ensine-a a questionar a linguagem;
7. Nunca fale do casamento como uma realização;
8. Ensine-a a não se preocupar em agradar;
9. Dê a ela um senso de identidade;
10. Esteja atenta às atividades e à aparência dela;
11. Ensine-a questionar o uso seletivo da biologia como “razão” para normas sociais em nossa cultura;
12. Converse com ela sobre sexo desde cedo;
13. Romances irão acontecer, então dê apoio;
14. Ao lhe ensinar sobre opressão tenha cuidado de não converter os oprimidos em santos;
15. Ensine-a sobre a diferença, torne-a comum;
 
A autora então, que ficou famosa por um discurso que também acabara por virar um livro denominado “Sejamos todos feministas”, mescla conselhos baseando- se em suas vivência tanto na Nigéria mas em outros países como Estados Unidos, juntamente com situações (principalmente machistas e racistas) que ocorrem no mundo todo e, de forma orgânica, são passadas culturalmente para as crianças, independentemente de seu sexo.
 
Escolhi trazer este texto pois acredito que, essa questão humana de estabelecer estruturas sociais, psicológicas e até físicas que sustentam a ideia de superioridade entre diversos grupos reflete diretamente no nosso ambiente, como por exemplo em forma de exploração de recursos, sejam estes abióticos, como água e solo, quanto bióticos, como mão de obra, confinamento de animais para alimentação etc. Boa parte das sugestões feitas por Chimamanda podemos adaptar ou traçar paralelos em relação ao meio ambiente.
A partir disso, acredito que uma das formas mais eficientes de se obter resultados respeitosos para a melhora da nossa sociedade como um todo é por meio da educação de nossas crianças, principalmente por estarem abertas para tal. Não necessariamente a luz de uma ideologia ou movimento social como o feminismo, mas a partir da ideia de equidade, de respeito, de empatia e outros conceitos embutidos no mesmo, e não só estes, como também o cuidado mútuo com outros seres vivos, a responsabilidade e consciência ambiental que cada indivíduo carrega consigo, independentemente da profundidade e grau de reflexão do mesmo.

Acredito que a educação, especialmente das crianças, é um dever social e não cabe apenas a um ou poucos elementos familiares. Portanto, penso que é por este caminho e somente por este, que será possível a transformação de nossas atitudes, crenças, costumes e culturas de forma que não ofendam e oprimam ninguém. Então, ainda pensando em uma responsabilidade coletiva, poderemos estendê-la para nosso ambiente e por fim, todo planeta.
Eu, como mãe e futura profissional da área de educação sinto que devo me comprometer ainda mais com questões ambientais a fim de facilitar todo esse processo, mesmo que pontualmente, atuando como mediadora de saberes em relação às pessoas que posso atingir ou com conhecimento mais técnico e aplicado. Para isso, acredito que devo me aprofundar em conhecimentos da área ambiental e das ciências humanas. Outros saberes sempre são bem vindos, somando bagagens ao meu processo de aprendizagem e enquanto profissional. Mas, no momento em que me encontro, sinto que os dois já citados, são os que necessitam de maior fomento e reflexão. Além do dito, a preocupação de se pensar “no planeta que vamos deixar para nossos filhos”, é totalmente válida para mim, independentemente da minha formação.


AUTOAVALIAÇÃO

Considerando os tópicos listados para a autoavaliação, dou–me 9. Acredito que no meu texto faltou por exemplo, maior quantidade de literatura, ao mesmo tempo em que para a minha proposta de publicação em um blog pessoal, considero minhas vivências e percepções para embasar meu raciocínio. Poderia ter explorado ainda mais as questões conjunturais atuais, ao mesmo tempo em que levei em consideração minhas experiências principalmente em relação às eleições.
Em relação ao meu aproveitamo na disciplina, devo citar que tive minhas visões sobre educação e meio ambiente ampliadas, tanto pelos comentários dos colegas e professor, quanto pelos presentes oferecidos pelos colegas ao longo do curso, onde vislumbrei o quão prazeroso e horizontal pode ser construído o aprendizado. A bibliografia e textos sugeridos foram de grande valia para a minha formação como um todo, visto que me surpreenderam em relação a profundidade que foram trazidos os assuntos em textos que foram o extensos o suficiente para apresentar tais ideias, dados e história. Os que não consegui ler, estão salvos para que eu posso fazê-lo nas férias.
Acredito que participei satisfatoriamente das aulas, tanto ouvindo quanto falando, construindo momentos e ideias relevantes para mim, amadurecendo e descobrindo reflexões valiosos para a Giovana.

terça-feira, 10 de maio de 2016

dói

sei que te afasto de mim 
porque algo insiste em te aproximar
sei que te afasto de mim,
e eu implico em aproximar vocês

me dói saber, sim
me dói imaginar que
na cama que me deito
tem outra no meu lugar

me dói sim, saber que
o toque que você diz ser verdadeiro
se faz tão real em outra pele
que quer te degustar

me dói essa contradição toda
esse sentir sem querer 
tentar esquecer
e lembrar sempre mais

negar que não te quero mais
e derreter minhas convicções só de sentir o calor do teu corpo
por acaso

medida

quanto ainda a gente pode se machucar?
te firo em segredo com seus segredos
subjetivamente
do jeito que melhor me expresso
entrelinhas...

quanto ainda a gente pode se machucar?
você me fere em segredo
e em segredo eu finjo me calar
só estou tentando suportar

Vênus em fogo

Minha inércia é pessoal
Toda forma de contato me agride
Eu não quero estar com alguém
Com ninguém
Talvez
Alguém
Que me sirva de vontade
De estar
Ser
Com alguém

Do resto,
Minha existência não vale o meu esforço
E minha raiva apodrece dentro de mim
Fede
Exala

e deixo tudo como está
me esforçando pra tornar tudo pior...

Pois bem

Pois bem
Meu bem
Por mais que eu queira te ferir
Só consigo me machucar mais

Por que esse vinculo?
Por que essa conectividade?
DEUS!
O que quer me mostrar?

Sinto que coisas novas podem vir mas
O fantasma das suas mentiras insiste em me perseguir 
E me sufoca com elas

Ando te olhando de perto
Te vejo de perto te quero
Perto
por quanto tempo?
Quanto mais disso posso suportar?

Quanto de você consigo suportar?
E quanta ausência tua consigo me permitir sentir
Sem deixar de existir

curva da força

quando o choro de culpa é indolor
t rrr e m o ao perceber que uma sensação está voltando

o choro da alma

pior que dor

é encarar uma situação e perceber que
por mais força que se faça pra odiar
você só consegue amar

novidade

Estou desconsertada por baixo dessa pele em que moro na vida. 
Sofrendo de mimfobia, sofrendo de pseudo-futuros-ex-amores  
E, apesar de gostar de toda essa história, sei que só me engano
Vejo beleza no sofrer 
Mas na raiva, não 
Nem bom, nem mau
Na verdade, nem vejo nada

To me dividindo entre duas ideias, duas personalidades, duas pessoas! 
Não to gostando muito
Nem de um nem de outro
Nem de mim nem de ninguém 

Talvez o melhor seja esperar essa onda de coisas novas passarem
Antes que eu, iludida que estou,
Iludida que sou
Acredite que sei nadar
E me afogue loucamente em paixões  passageiras 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

carta para o meu ex-grande amor

Amor da minha vida,
Venho te contar histórias
Te trazer recordações
Imaginar o futuro

Venho fazer planos e desfazê-los pra que possam ser refeitos
Quero te encher de beijos
Quero...


Não vai dar certo


Minha imaginação não foi mais forte que a realidade

Lembro dos bons momentos mas,
Se olhar com calma
Lembro muito bem dos ruins também

Esquece


segunda-feira, 2 de março de 2015

nossa química

Penso que nossa química vai dar certo sim
Mas quando você crescer
Quando você quiser beber por prazer
Apreciar
Não somente enlouquecer
Sentir o cheiro do vinho
Conhecer sua textura
Aprender a degustar...

...

Quando você quiser me beber por prazer
Apreciar-me
Não somente enlouquecer
Sentir o meu cheiro
Conhecer minhas texturas
DEGUSTAR-ME

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

19

Sobre tudo isso: assim que vi que era meu aniversário, resolvi registrar simplificadamente algumas sensações e pensamentos. 
De maneira crua, tentei não enrolar pra não me confundir futuramente, abrindo mão de grandes enfeites linguísticos, afim de me auto-compreender sem eventuais ambiguidades etc

Ah! E a fotinha é só pra enfatizar e comprovar que minha cara continua a mesma - no caso sem filtro e maquiagens.




Oficialmente, com 19.

Queria registrar pra vc, mim do futuro, como me sinto. 

Na verdade, sinto nada 
Pois sinto tudo

As vezes me pego pensando
Em que momento da minha vida eu surtei com os detalhes?
Culpo externos e movimentos internos
Culpo signos, acendentes e até as estrelas 

Não sei se o nome disso é maturidade
Me pego, eventualmente, sendo ingênua feito uma criança 
Me pego, eventualmente, sendo birrenta como uma criança, também 

Coincidiu, essa data com o Carnaval
Minha data!
E já não é a primeira vez
Meu evento, desde que nasci nele:
brasileiro! acaba me revelando muito
Carnaval que faço pra tudo
Energia e intensidade
Mostrando em vivências
Mostrado em desânimos e indiferenças 
Já que, no final
Fingindo não sentir nada,
To implodindo e usando toda a minha força pra narrar isso 
Dentro pra fora
Usando minhas forças pra barrar isso
Dentro pra fora

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Confesso me achar um ser curioso 
Reconhecer minhas qualidades 
Analisar meus defeitos 
E ignorar tudo por me apossar do meu maior mal
Que é acreditar em tudo isso
E na hora h, não acreditar em nada:
Insegurança 

Tenho meus planos pra esse ano
Que mudam a cada segundo, a cada brisa de ar novo

Não me sinto mais mulher nem mais criança
Não me sinto mais madura nem menos infantil 
Não sinto tudo e não sinto nada
E a cada momento que tento descobrir quem eu sou
Me perco mais nesse mundo
Meu mundo 

Ou quem sabe, na síntese dos dois 


Talvez o tempo me responda 
Ou não 
Posso me rechear cada vez mais de insegurança e contradição... 

Giovana Metzner, com 19 anos de suposta existência na Terra
Tentando entender 
Tentando não se preocupar tanto 
Tentando não ser tão minimalista 
Odiando e amando ser quem sou


Esperando meu próximo número, acima de tudo 

Não gostei de carregar esse número, 19
Não combinou
Ou quem sabe, esse é o número que explicita essa fase que estou atravessando

Meio adulta, meio jovem 
Meio cheia e meio vazia
Meio 8 e meio 80
Meio 18 e meio 20

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

notas sobre minha insegurança

Não aguento mais essa insegurança 
Sufocante 
Enquanto ela me resguarda humildade e modéstia 
Me condena a derrota e me devasta

Como vocês não notam isso? 
Como vocês não percebem-me 
E não enxergam essa autoestima forçadamente ridícula!


Não sei lidar.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

ô, sofrência! - amor platônico etc

Senti uma sensação muito engraçado ao ver que havia me respondido. 
Efervescência da mente, desencadeou um milhão de micro sensações. Sensacional!
Adoro essa névoa que se cria, a mente que descria e cria como bem entender, só pra florescer esse feeling que acompanha essa paixonite - passageira, já sei e aceitei.

Taí, toda a graça e encanto.

Mas não posso deixar de citar aqui ela. E feito paixão adolescente venho te confessar secretamente que sinto ciúmes de toda essa sorte que ela teve de te ter.
Vale lembrar que, nem sei quem você se tornou.

Vale reforçar que taí, toda graça e encanto.

E num ciclo de pensamentos difusos próprio da minha personalidade, lembro do meu passado com outra pessoa. Faria eu, tudo que fiz pro meu primeiro amor pra você?
Juras, cartas, declarações, favores, enfim...

A resposta? Não.
Pelo simples fato de que: não te amo.

Faço das palavras de Almeida Garret as minhas:
E infame sou, porque te quero 
E tanto
Que de mim tenho espanto 
De ti medo e terror
Mas te amar,
Não te amo, não.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

vamos?

Crio empecilhos, planos perfeitos, projetos impecáveis. 
Crio bom-dias, bom pratos, bons momentos. 
Crio roteiros, sentimentos, arrepios. 
Crio sorrisos, abraços, crio beijos!

Tudo isso desnecessariamente. 
Tudo isso involuntariamente. 

Não crio, apenas me recordo buscando no silêncio da minha alma esgotada que, ta ali. 
Amor.

Deixo os planos de lado se me disser que aceita. 
Foge um pouquinho comigo. 

Vamos?